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Continuando...
Por volta de 1990, estava exercendo funções no Primeiro Batalhão de Polícia de Choque – ROTA,
gostava muito de trabalhar na rua, como a expressão policial "era de rua".
Foi quando, já não suportando certa pressão, fui convidado certa noite para ir em uma Igreja Evangélica e receber uma oração de um pastor. Pior não poderia ficar.
Por fora, aparentemente normal. Por dentro, só Deus sabia. Havia chegado a minha hora.
Um plano muito ruim estava sendo desenrolado para minha destruição, mas Deus, que tudo vê e conhece, naquela noite, providenciou o meu resgate das astutas ciladas do inimigo.
Naquela noite, fui à uma Igreja Evangélica da Assembléia de Deus, sem nada entender, ali entrei. Não conseguia compreender a pregação, até que chegou o momento das pessoas irem à frente para receberem oração e eu fui.
Dobrei os joelhos ali, diante do púlpito, e uma forte luz encheu os meus olhos, e não conseguia ver mais nada. Era somente luz, muita luz e o meu corpo parecia que esvaziava. Passados alguns instantes, abri os olhos, estava ainda de joelhos, levantei-me e voltei ao banco.
Tudo ali era novidade, nem tinha assunto, mas senti que algo muito pesado e violento havia sido removido de mim.
Voltei para casa e, ainda fumando um cigarro (fumava em média dois maços por dia), sentei na beirada da cama e falei para o Deus que não conhecia, assim: “Olha Deus, eu não te conheço, mas, se está tudo errado na minha vida, começa tudo de novo.” Aquela frase saiu da sinceridade do meu coração.
Olhei para junto do guarda-roupas e vi o estôjo com o cavaquinho e, ao lado, o violão que por muito tempo estava ali esquecido, tendo em vista que só usava o outro instrumento. Fui movido a pegar o violão, empoeirado, que comecei a dedilhar. Era como se eu tornasse a conversar com um companheiro que, por qualquer motivo, havia esquecido em algum canto da vida e, quando dedilhava parecia que estava voltando a lembrar de como aquele som era bom e trazia paz ao coração.
Enquanto dedilhava comecei a conversar com alguém que parecia estar interessado nas minhas palavras, no meu desabafo.
Momentos após, dei por mim. Dos meus lábios estava saindo um cântico.
Saiu o que jamais havia ouvido. Percebi que um Cântico Novo havia saído do meu coração.
Ali, sozinho, no meu quarto, cheio de um desejo da verdade, do grande e real amor, o Amor real.
Rapidamente peguei um papel e um lápis e, tudo o que havia expressado, foi lembrado e transcrito.
Eram sete estrofes. Era a minha vida que estava ali. Jamais poderia imaginar que aquelas palavras estivessem dentro de mim.
De pronto veio o título daquele Cântico: "Conversando".
É o Cântico Livre 002 - Conversando ».
Comecei aprender a conversar com Deus, o meu íntimo amigo e confidente começou a revelar-se para mim.
Feito isso, fui dormir. Sabia que algo diferente já estava acontecendo.
O dia seguinte era o dia de final de semana e a rotina da vida social: ir ao clube, futebol, churrasco, pagode etc etc etc.
Peguei o material de sempre e fui ao ClubOf. Joguei o futebol normalmente. Após um banho, a carne já na churrasqueira, a mesa pronta para as bebidas, afinação de instrumentos, tudo iria recomeçar dentro da mesma rotina.
Peguei o cavaquinho e, ao iniciar a afinação, o som daquele instrumento irritou nos meus ouvidos, parecendo um som estranho, mas acabei a afinação, continuando incomodado com o som dele. Peguei-me observando o local onde sempre ocorriam as reuniões e, os meus olhos começavam a ver coisas que eu não via, disse no meu coração: "Que lugar ruim, feio, as pessoas estão com aspecto ruim, as pessoas estão com aparência muito ruins."
Não estava me sentindo bem ali.
Colocaram os copos de caipirinha, cerveja na mesa e eu olhava para aquilo sem qualquer desejo de pegar. Eu não havia predisposto nenhuma restrição quanto às rotinas pelo fato de ter entrado em uma igreja evangélica ou ter recebido oração.
Aquilo estava simplesmente fluindo. Não havia mais em mim o desejo de pegar qualquer copo com bebida.
A sensação era de que estava em lugar errado. Virei-me para o balconista da lanchonete e pedi um refrigerante, quando veio a brincadeira: "Tá doente Brandão?"
No momento falei que estava com uma certa indisposição, que poderia ser alguma coisa que não ‘caiu’ bem no estômago, mas eu sabia que algo estava acontecendo e eu precisava entender.
Começamos a tocar e, aquele som para mim estava insuportável, querendo até parar no meio da música. Com dificuldades fui até o fim e, levantei-me dizendo que não estava bem, algum problema no estômago, que iria para casa dormir e que mais tarde voltaria. Peguei o cavaquinho e fui para o carro que estava no estacionamento.
Quando entrei no carro, fechei a porta e, como uma criança, comecei chorar. Não entendia o que estava acontecendo.
De repente, ouvi uma voz muito nítida dizer: "Acabou, agora o teu Dono é outro."
Prontamente olhei para o banco traseiro pensando que houvesse alguém ali. Não havia ninguém.
Continuei ainda um pouco mais ali, disfarçando porque pessoas passavam próximas do carro e,
mais uma vez ouvi: "Agora o teu Dono é outro".
Liguei o carro, olhei pelo retrovisor o grupo à distância e, no meu coração entendia que,
tudo aquilo já era passado. 3 »
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